{"id":4628,"date":"2016-09-15T11:45:47","date_gmt":"2016-09-15T14:45:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.carolinagabriel.com.br\/?p=4628"},"modified":"2025-05-22T14:45:13","modified_gmt":"2025-05-22T17:45:13","slug":"nutricao-e-dialise-peritoneal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/nutricao-e-dialise-peritoneal\/","title":{"rendered":"Nutri\u00e7\u00e3o e Di\u00e1lise Peritoneal"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Di\u00e1lise Peritoneal<\/strong> (DP) \u00e9 um m\u00e9todo dial\u00edtico que usa a membrana peritoneal como um filtro semiperme\u00e1vel, remove solutos acumulados no sangue, como a ur\u00e9ia, a creatinina, o pot\u00e1ssio, f\u00f3sforo e a \u00e1gua para o dialisato (l\u00edquido da di\u00e1lise) infundido por um cat\u00e9ter na cavidade peritoneal. A membrana peritoneal regula a troca de \u00e1gua e soluto entre os seus capilares intersticiais e o l\u00edquido de di\u00e1lise. As toxinas e o excesso de l\u00edquido s\u00e3o drenados do corpo atrav\u00e9s do cateter peritoneal, e s\u00e3o descartados.<\/p>\n<p>Existem tr\u00eas m\u00e9todos de di\u00e1lise peritoneal: <!--more-->a intermitente (DPI), a ambulatorial cont\u00ednua (CAPD) e a automatizada (APD). A DPI n\u00e3o tem sido mais utilizada atualmente pois \u00e9 agressivo e pouco eficiente em longo prazo. Atualmente a CAPD \u00e9 a mais utilizada, existe a presen\u00e7a cont\u00ednua de dialisato na cavidade peritoneal, e a APD utiliza uma cicladora que instila e drena o dialisato da cavidade peritoneal em intervalos mais r\u00e1pidos do que na CAPD, esse m\u00e9todo ocorre a noite, permitindo maior flexibilidade durante o dia e menos manipula\u00e7\u00e3o no cateter.<\/p>\n<h3>Fatores de Risco Nutricional:<\/h3>\n<ul>\n<li>Desnutri\u00e7\u00e3o: existe uma alta incid\u00eancia de desnutri\u00e7\u00e3o nessa popula\u00e7\u00e3o, e um grande n\u00famero possui outras enfermidades que podem em desnutri\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o da sobrevida. A ingest\u00e3o nutricional diminu\u00edda, as perdas de prote\u00ednas vitaminas e minerais no dialisato, est\u00e3o entre as principais causas de desnutri\u00e7\u00e3o nesses pacientes.<\/li>\n<li>Anorexia: pode ocorrer devido \u00e0 disten\u00e7\u00e3o abdominal, absor\u00e7\u00e3o constante de glicose. Muitos pacientes em DP s\u00e3o diab\u00e9ticos, associados com dist\u00farbios gastrointestinais como a gastroparesia, que interfere no apetite e na ingest\u00e3o alimentar. N\u00e1useas, v\u00f4mitos, desenvolvimento de enfermidades intercorrentes e os epis\u00f3dios de peritonite podem ser fatores adicionais para a anorexia.<\/li>\n<li>Uremia: anorexia, n\u00e1useas e v\u00f4mitos s\u00e3o sintomas caracter\u00edsticos da uremia. A adequa\u00e7\u00e3o da di\u00e1lise parece influenciar o estado nutricional de pacientes em DP. Atualmente os m\u00e9todos mais utilizados na avalia\u00e7\u00e3o da adequacidade da di\u00e1lise s\u00e3o o Ky\/V e o clearance de creatinina total semanal em litros. O clearance de creatinina total semanal \u00e9 dependente do volume do dialisato drenado em um determinado tempo, do per\u00edodo cumulativo de perman\u00eancia do dialisato na cavidade peritoneal e da concentra\u00e7\u00e3o plasm\u00e1tica de creatinina. O teste de equil\u00edbrio Peritoneal (PET) avalia as caracter\u00edsticas de transporte e ultrafiltra\u00e7\u00e3o da membrana peritoneal. O \u00edndice de di\u00e1lise \u00e9 o volume de dialisato necess\u00e1rio para remover quantidade suficiente de nitrog\u00eanio para manter a concentra\u00e7\u00e3o de ur\u00e9ia em aproximadamente 150mg\/dl.<\/li>\n<li>Anemia: a anemia leva a fadiga e a redu\u00e7\u00e3o da capacidade de exerc\u00edcios f\u00edsicos, e estes podem contribuir para a perda de massa muscular e para a desnutri\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Catabolismo aumentado:\u00a0A peritonite tamb\u00e9m esta associada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do apetite e ao aumento do catabolismo corporal, devido \u00e0 infec\u00e7\u00e3o e a dor que ocorrem durante o epis\u00f3dio.<\/li>\n<li>Perdas de Nutrientes no Dialisato: as perdas proteicas ocorrem porque a membrana peritoneal tamb\u00e9m \u00e9 perme\u00e1vel a prote\u00ednas, que s\u00e3o sacrificadas no momento da di\u00e1lise de subst\u00e2ncias indesej\u00e1veis ao organismo.A peritonite aumenta a permeabilidade da membrana peritoneal para mol\u00e9culas grandes, como as prote\u00ednas, aumentando as perdas no dialisato. Tamb\u00e9m as perdas significativas de imunoglobulinas podem contribuir para a diminui\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia a infec\u00e7\u00e3o desses pacientes.<\/li>\n<li>Inflama\u00e7\u00e3o: recentemente foram demonstrados n\u00edveis elevados de citocinas circulantes em pacientes portadores de Insufici\u00eancia Renal Cr\u00f4nica (IRC), tanto no per\u00edodo pr\u00e9-dial\u00edtico como na hemodi\u00e1lise ou DP. Essas citocinas podem ser mediadoras do processo inflamat\u00f3rio na uremia.<\/li>\n<li>Peritonite: em conseq\u00fc\u00eancia da peritonite ocorrem mudan\u00e7as na permeabilidade da membrana, podendo resultar em balan\u00e7o nitrogenado negativo e redu\u00e7\u00e3o da albumina s\u00e9rica pelo fato de ocorrer aumento das perdas prot\u00e9icas. A dor e desconforto abdominal podem dificultar a ingest\u00e3o oral de nutrientes, e os pacientes com estado nutricional comprometido podem estar mais suseptiveis a peritonite.<\/li>\n<li>Acidose Metab\u00f3lica: a acidose metab\u00f3lica \u00e9 um forte est\u00edmulo para o aumento do catabolismo prot\u00e9ico. A suplementa\u00e7\u00e3o com bicarbonato de s\u00f3dio pode induzir o anabolismo, por\u00e9m, pode induzir a reten\u00e7\u00e3o e sobrecarga h\u00eddrica nesses pacientes.<\/li>\n<li>Obesidade: o IMC \u00e9 mais alto em pacientes em CAPD, comparando \u00e0 hemodi\u00e1lise, e parece aumentar com o tempo.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Absor\u00e7\u00e3o de Glicose:<\/h3>\n<p>A quantidade de glicose absorvida varia devido a diferen\u00e7as na permeabilidade da membrana. Em geral a quantidade absorvida \u00e9 estimada como sendo de 20 a 30% da ingest\u00e3o energ\u00e9tica usual do paciente. A absor\u00e7\u00e3o de glicose pode ser medida trav\u00e9s da an\u00e1lise da concentra\u00e7\u00e3o de glicose do l\u00edquido peritoneal drenado durante 24 horas.<\/p>\n<h3>Gasto Energ\u00e9tico e Leptina:<\/h3>\n<p>Pacientes em CAPD apresentam um gasto energ\u00e9tico significativamente mais baixo do que aqueles em hemodi\u00e1lise, tamb\u00e9m a resist\u00eancia \u00e0 leptina. Quando ocorrem mudan\u00e7as no balan\u00e7o energ\u00e9tico, s\u00e3o desencadeadas altera\u00e7\u00f5es compensat\u00f3rias na ingest\u00e3o e\/ou gasto cal\u00f3rico, com o objetivo de manter as reservas adiposas em seu n\u00edvel regulado.<\/p>\n<p>A leptina \u00e9 produzida pelas c\u00e9lulas adiposas, funciona como um inibidor de feedback negativo \u00e0 ingest\u00e3o alimentar sendo o neuropept\u00eddio Y (NPY) um estimulante, portanto uma de suas fun\u00e7\u00f5es normais, \u00e9 inibir a produ\u00e7\u00e3o e libera\u00e7\u00e3o do NPY no hipot\u00e1lamo.<\/p>\n<h3>Avalia\u00e7\u00e3o do Estado Nutricional:<\/h3>\n<p>Tem como objetivo facilitar a avalia\u00e7\u00e3o do estado nutricional, normalmente s\u00e3o utilizadas as seguintes ferramentas: Avalia\u00e7\u00e3o Subjetiva Global (SGA), Registro Alimentar, Antropometria, e Exames Laboratoriais (albumina, Cin\u00e9tica da Ur\u00e9ia, e Cin\u00e9tica da Creatinina), sabendo que n\u00e3o podem ser usados isoladamente na avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Recomenda\u00e7\u00f5es Nutricionais:<\/h3>\n<p>Os nutrientes devem ser ingeridos e utilizados em quantidades suficientes para suprir todas as necessidades do corpo. Devem considerar a absor\u00e7\u00e3o constante de glicose atrav\u00e9s do dialisato.<\/p>\n<p>A ingest\u00e3o oral deve ser predominantemente de Carboidratos complexos e fornecer cerca de 35% do total das kcal estimadas para o dia. Recomenda-se 35% do total das kcal\/dia de lip\u00eddios, preferencialmente os poliinsaturados. A obstipa\u00e7\u00e3o intestinal \u00e9 comum na DP e pode resultar em aumento do desconforto abdominal, a Recomenda\u00e7\u00e3o Di\u00e1ria \u00e9 de 20 a 25g.<\/p>\n<blockquote><p>Este material tem apenas um car\u00e1ter informativo e resumido. Caso tenha algum problema de sa\u00fade sempre procure um m\u00e9dico, e sobre sua alimenta\u00e7\u00e3o procure um nutricionista de sua confian\u00e7a em sua cidade.<\/p><\/blockquote>\n<h4><em>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/em><\/h4>\n<ul>\n<li>Martins, C. Nutri\u00e7\u00e3o para Pacientes em Di\u00e1lise Peritoneal. Nutroclinica, 1 Ed. 1998.<\/li>\n<li>Riella, M. C.; Martins, C. NUTRI\u00c7\u00c3O E O RIM. Guanabara, 2 ed. 2013<\/li>\n<li>Sociedade Brasileira de Nefrologia<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Di\u00e1lise Peritoneal (DP) \u00e9 um m\u00e9todo dial\u00edtico que usa a membrana peritoneal como um filtro semiperme\u00e1vel, remove solutos acumulados no sangue, como a ur\u00e9ia, a creatinina, o pot\u00e1ssio, f\u00f3sforo e a \u00e1gua para o dialisato (l\u00edquido da di\u00e1lise) infundido por um cat\u00e9ter na cavidade peritoneal. A membrana peritoneal regula a troca de \u00e1gua e &hellip; <a href=\"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/nutricao-e-dialise-peritoneal\/\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">Nutri\u00e7\u00e3o e Di\u00e1lise Peritoneal<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5062,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[155,156,299,301,304],"class_list":["post-4628","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-dialise","tag-dialise-peritoneal","tag-nutricao","tag-nutricao-clinica","tag-nutricional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4628","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4628"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4628\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5235,"href":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4628\/revisions\/5235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5062"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4628"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4628"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/carolinagabriel.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4628"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}