A relação entre o intestino e o cérebro

O eixo intestino-cérebro é uma via de comunicação bidirecional entre o sistema digestivo e o sistema nervoso central. Isso quer dizer que um pode influenciar a atividade do outro e vice versa.

Isso significa que tudo o que afeta seu intestino — desde o que você come até a sua microbiota — também afeta o seu humor, depressão, foco, sono e comportamento.

Essa comunicação acontece por meio do nervo vago, neurotransmissores, sistema imune e substâncias produzidas pelas bactérias intestinais.

Alterações neste eixo afetam desde a motilidade do intestino (movimento), secreção intestinal, fluxo intestinal (constipação e/ou diarreia), pode levar ao desenvolvimento de doença inflamatória intestinal (DII). Mas também, as alterações no eixo intestino-cérebro estão associadas ao stress agudo e crônico, afetando comportamento e distúrbios e transtornos psicológicos.

Por isso em casos de ansiedade, depressão, TDAH, insônia e fadiga crônica é fundamental tratar o seu intestino. E quando falo isso, não quer dizer apenas se você vai ao banheiro ou não.

A modulação intestinal vai muito além de probióticos. É necessário criar um ambiente propício para que as boas bactérias possam sobreviver, se multiplicar e realizar suas funções saudáveis novamente no intestino.

Referência:

Ravenda S, Mancabelli L, Gambetta S, Barbetti M, Turroni F, Carnevali L, Ventura M, Sgoifo A. Heart rate variability, daily cortisol indices and their association with psychometric characteristics and gut microbiota composition in an Italian community sample. Sci Rep. Nature. 2025 Mar 12;15(1):8584. doi: 10.1038/s41598-025-93137-8.

Será que a microbiota interfere no seu Peso?

A microbiota intestinal é capaz de modular o metabolismo e influenciar o acúmulo de gordura corporal.


Este foi o achado de um estudo publicado na revista Nature, e depois dele surgiram muitos outro.

O estudo investigou gêmeos obesos e magros e revelou: a obesidade está associada a uma menor diversidade microbiana e alterações metabólicas induzidas pela microbiota.


O mais impressionante? Ao transplantar a microbiota de gêmeos obesos para camundongos livres de germes, os animais apresentaram maior ganho de peso e alterações metabólicas — mesmo com dieta idêntica.

A ciência mostra que não é só sobre o que comemos, mas também sobre quem nos habita.

O movimento físico estimula o movimento intestinal

É isso mesmo, seu intestino precisa de movimento para funcionar bem.

A falta do movimento do exercício físico, reduz o peristaltismo (movimento que nosso intestino faz para movimentar seu conteúdo), favorecendo a constipação. Ainda aumenta o inchaço e dificulta todo o processo digestivo.

Se você ainda não faz nenhuma atividade física, inclua pelo menos caminhadas regulares, exercícios de mobilidade e alongamentos, isso já vai fazer uma diferença real na sua saúde e do seu intestino.

No consultório, sempre oriento o paciente a incluir movimentos simples na rotina, principalmente para quem passa o dia todo sentado.

Lembre-se, Nutrição e movimento caminham juntos — literalmente.

👣 Às vezes, 20 minutos de caminhada diária fazem mais pelo seu intestino do que você imagina.